expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass' onselectstart='return false'>

2 de dezembro de 2016

Não gosto de precisar de ti. Gosto que precises de mim - A dualidade fundamental, o ensaio experimental que testamos – ser felizes, ou medianos? 
Quero sossego. 
Quero paz. 
Quero ser capaz de ser longe. 
Quero estar longe e só ser. 
Quero indiferença. 
Não quero ver a nossa diferença – o que éramos, o que nos tornámos. Tornados passaram por aqui e ficámos virados do avesso. Qual é o preço a pagar para voltar ao nosso apreço? E aquilo que te peço, tão simples quanto isso, é que fiques. Não evites, não há lugar a coisa triste, a morar em ti. O mundo que não faça de ti morada, a conquista suada de história ultrapassada, a vitória conquistada de sair. Por a mala de viagem à porta e ir. O caminho é sempre O Caminho, não há como fugir do destino. Que te toque o Fado, seja em tom melancólico ou alegre, mas sempre… 
...em frente. 

1 de dezembro de 2016

Parte a parte, amar-te como se o teu corpo fosse feito de arte. Minha doce loucura, encontramo-nos na lua para um cigarro e um debate. A noite guarda os nossos segredos, que somos menos (nós) quando nascer a manhã amanhã. A lua a patrocinar os suspiros - diz me os hábitos, conta me os vícios. És tu aquilo em que te tornas? Ou ficaste caído junto ao vinho que entornas? 
Diz me como se vive quando não se sabe como viver. Flutuamos por entre  noites que ficarão esquecidas em polaroids ao abandono, como as almas que percorro quando te conto.  Diz me como se vive quando não se sabe como viver. É melhor ir... Ou esquecer? Lembras te daquela noite em que vimos a estrela cadente? 
- não, eras tu... 

26 de outubro de 2016

Repletos de ecos de dialectos que não entendemos
estrangeiros, nos mesmos becos incorrectos
um descomeço que inicia de novo no compasso
com um adereço sentimental, de um recomeço ideal
- o meu amuleto: o teu peito. levo-o no bolso.
Escrevo quem sou para ver se descubro
ou se me transformo.
As palavras não dizem tudo, no silencio...
...ouve-se mais,
é nele que nos encontramos de novo,
a cabeça, pesa, de novo.
Será que podes falar do passado sem o trazer ao teu encontro?
Será que podes falar do que fizeste sem estar outra vez no poço?
A água não te limpa, chora-te
A dor não te cura, transforma-te
Pouco resta neste presente, presente neste lugar
O sitio que me fez ser peregrino…e abalar
Ir…sempre ir…navegar
Não afundar.
E na recta final? Só conta o que feliz, fiz mal?
Ou pesa o preço que paguei para sempre?
Erros aos 20 que se pagam durante sessenta
Quando aos quinze achas que o amor tem 40
Esse afecto que agora entendes um dia não fará sentido
E quando deres por isso – o seu fim sempre esteve decidido
Destino? Ou livre arbítrio vivido? 
Somos emigrantes da tristeza (fugimos do país que nos dói cá dentro)
Somos embaixadores da mágoa (que representamos em todo o perímetro)
Pode ser que um dia, tudo isto tenha piada…

Até lá… mantenho-te como a minha morada.

2 de setembro de 2016

Insomnia

5 de Setembro. Ano passado. Agora, no presente, é isso mesmo: passado. Um rascunho da minha pessoa - estou a passar a folha a limpo. Fazer as correcções. Ajustar o tipo de letra. Ou de meta. Passo a passo. Tropeço no pretérito (im)perfeito, mas já não caio [eu ia...mas já não vou]. Afirmação negativa. Primeira pessoa do singular.

Um ano plural cheio de etiquetas nas costas, que agora arranco, uma a uma. Não me pertencem. Já não. Um ano que não apaga quem fui, mas molda quem sou. Um ano em que amanhã sou melhor. Se somos o resultado do que fizemos, o meu saldo é negativo... A parte boa da equação é que estou a descobrir as contas de somar.

Pouco ou nada escrevi sobre o assunto que tanto me escreve e descreve. Estranho em mim, que sempre encontrei na poesia, a companhia. Talvez a ausência de palavras seja sinónimo de que foi uma marca tão grande que nada mais há a dizer sobre ela. Apenas isso, apenas existe e não merece mais atenção que (toda) essa.

Diálogos preenchidos a dúvida: "Onde está a Inês que eu conheço?" - não sei. Se a vires, pergunta-lhe. Também gostava de a encontrar. "Não vais andar" - não faz mal, eu corro. "Não vais melhorar" - não faz mal, eu sobrevivo. "Vais ter dores" - que não me consomem. São o que resta quando tudo o resto some. São o que há quando a falta de amigos se descobre. São o que existe quando sou feita do teu nome. São o que tenho quando custa ver o horizonte. Alimento-me delas para me manter forte. 

À noite doem mais entre os lençóis frios, vazios. À noite dói mais porque estou tão cheia de mim. Eu não sei viver aqui. Não sei viver assim. Estou a aprender a estar em mim. Sempre gostei da mudança - viver no mesmo sítio cansa. 

Se a minha morada sou eu própria, está na hora de aprender a viver com a casa às costas. Pronta a partir. Eu só sei ir... Eu sempre soube só ir. Nunca aprendi a vir. Queria tanto saber voltar. Saber ser, saber estar. 

O mar é imenso e leva-me. A noite não tem fim e conserva-me. Fujo de mim mas a mim volto - menos eu, mais alguém. Eu sei... ser eu não significa ser ninguém. Eu nunca soube o que significa ser eu, tão pouco o que é ser alguém. Existo, resisto, subsisto. Sonhos frustrados, frustrações sonhadas. Braçadas dadas contra a corrente. No meu dia, o Sol  está sempre poente. Não aceito mais o poluente. Sou crente na crença de que já não posso encontrar a cura na doença. A minha dor é intensa. A falta de (c)alma, imensa... Mas o que quer que aconteça, a vontade de ultrapassar, ultrapassa. 

25 de julho de 2016

Esta cidade anda muito depressa. Não há tempo para sonhar.

22 de julho de 2016


sempre foste para mim um cruzamento. Indecisa como sou, sem tomar a esquerda ou a direita, acabei atropelada. Hoje em em dia, já não paro para pensar...sigo sempre em frente.

19 de julho de 2016

#sweetnineteen

19. O ano mais agridoce de toda a minha existência... Coisas boas podem nascer de maus sítios, como um pássaro que sobrevoa uma cidade em ruínas: ao olhar para baixo tudo lhe parece feio, mas eventualmente, ele vai ver o mar. Daqui para a frente não é sempre a subir, porque a vida são corredores sucessivos, em que corremos por entre portas abertas para a seguir esbarrarmos numas bem trancadas. Mas o que quer que seja que aí vem, estou pronta. Longe de ser a pessoa por quem anseio, ao menos sou segura de que estou a caminho - o segredo é nunca parar de andar. Um dia, chegamos lá.

5 de julho de 2016

Bagdad

A morte há muito que fez do Iraque um dos seus habitats naturais - mas não é aqui que ela pertence.
Cada vez que há um atentado, forcem-se a lidar com ele. Vejam fotos (sim, são chocantes). Vejam vídeos (sim, fazem chorar). Vejam os filhos que perdem os pais e os pais que perdem os filhos.
Obriguem-se a sentir este horror, para que nunca ignorem que ele existe.
Para que não sejam indiferentes a mortes. Para que nunca recebam essa notícia com naturalidade. Para que vos choque sempre. Para que não passe despercebida. Para que as pessoas não se tornem meros números num rodapé de telejornal. As pessoas não são números. São idosos, adultos, crianças. São muçulmanos, cristãos, ateus. São europeus, asiáticos, africanos. São ricos, pobres, assim-assim. São homossexuais, bissexuais, assexuais, heterossexuais, transexuais. São sírios, belgas, iraquianos, franceses. As pessoas são pessoas, qualquer que seja a parte do mundo em que morrem. São os obstáculos que ultrapassaram. São os sonhos que tinham. São o fim terrível e injusto que tiveram. Valem todas o mesmo. Não fiquem tristes só por algumas.
''For years now, we have become almost numb to the violence in Baghdad: Deadly car bombings there conjure up no hashtags, no Facebook profile pictures with the Iraqi flag, and no Western newspaper front pages of the victims' names and life stories, and they attract only muted global sympathy.''