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28 de setembro de 2013

A Explicação de Eternidade

Se tudo o que somos, fosse guardado dentro de um carro e posto ao caminho,
A esta hora éramos o veículo espetado contra o separador central da EN 21
Que hoje de manhã ouvimos na rádio:
A previsão do nosso acidente...
Vislumbrei:
Uma mistura de excesso de mercadoria, condução perigosa
Chumbados no teste do balão.
Eles não sabem é que o nosso vício é bem mais letal
Que incidentes de álcool...
Não se vende em supermercados
Nem a menores de coração por estrear.
Memórias do banco de trás
Vislumbres do que ficou lá atrás
Essências ilícitas a embaciar o vidro:
Inspirares, suspirares
Pedaços de mim, bocados de ti
Estendidos no meio da estrada
Sem sinais de retorno.
Ainda assim e tão sem vida, a parar o trânsito;
é esse o nosso poder:
sermos muito mais do que algum dia iremos saber.
Tão mais destruídos antes do acidente
tão mais rasgados cá dentro, 
do que a nossa pele aparenta no exterior
Encontrei a resposta que fugiu de dentro da tua mão
Entrámos neste compromisso em contramão.

5 de julho de 2013

re-tratamento

Um hospital chamado colo.
Uma doença chamada amor.
Uma loucura: nós.
A cura? Nem vê-la.

Alice

2 de julho de 2013

o poema rápido

Então sorrimos como se fosse verdade
O mundo não acabou ainda para nós
Ainda somos dois
Os teus olhos as minhas estrelas,
As minhas mãos as tuas guias.
É só esta noite que somos nossos
Amanhã, tudo chega de novo
E traz consigo a distância.
Cada um por si, sempre foi assim
por agora, fecha os olhos
estou aqui,
a tua mão no meu peito
o meu colo no teu corpo
o amor entre a nossa pele
e um desejo a ‘quero mais’.
Dou-te a volta mas não acabas
Há sempre mais de ti
Há mais ruas onde ir,
cidades nos teus olhos
Que eu nunca vou descobrir
É só por hoje…

Goza a viagem.

23 de maio de 2013

Well, helloooo

Madalena,
ainda não te vi mas SEI que és linda. Acho que marcas o início de um novo capítulo. O primeiro para ti, o último para alguém por aí. Sim, é esse o equilíbrio do mundo. Uns têm de sair para que outros possam entrar. Cá estás tu, com toda a tua pequenez, a encher este universo mais um pouquinho, a encher-me de felicidade. Hoje é um bom dia para mim. Graças a ti. Tens em ti tão pouca vida, mas tanta para dar. Vive-a. É tua, toda tua.
Tens toda a família aqui, à tua espera. Para te amar e proteger, nem que seja de ti própria.
Prometo escrever-te sempre que puder, tens a minha palavra. E talvez isso torne alguns dos teus dias, melhores.
Bem-vinda! Que este mundo esteja feito à tua medida...E, se não estiver, nós mudamo-lo!

19 de maio de 2013

Temos pressa um do outro...não te atrases


Temos sempre pressa um do outro:
Como uma noite de Novembro
No sofá,
Com a lareira,
na sala acesa.
A manta, cheia de mim, cheia de ti.
Cheia da falta que nos fazemos,
estando mesmo ali ao lado,
até antes de irmos embora.

Temos pressa um do outro:
Pressa de cair nos braços
Pressa de encostar a minha cara à tua barba
E lá ficar, segura.

Tu nunca chegas a tempo e
quando eu sou idade tu és prazo.
Porque uma parte é o que sou
E a outra metade de mim
É a falta que me fazes.

Temos pressa um do outro,
Temos urgência um do outro
Temos de chegar ao sítio
Ali, a ti
E lá ficar…
...para sempre.