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2 de setembro de 2013

Nem com Alzheimer

Os sonhos e os medos têm algo em comum: só ficam do tamanho que os deixemos chegar. Os meus são ambos gigantes: uns, conquistam-se; os outros, enfrentam-se. Na certeza que me acompanhas, o mundo não parece tão assustador. E ouve, temos sempre o mundo todo à espera. Hei-de ser velhinha, e tu, velhota. Com as mãos ocupadas e o corpo cheio. Cheio de vida, cheio de sítios e de pessoas, cheio de amores perdidos, amantes encontrados e borboletas ressequidas na barriga, de whiskey e de champanhe, de bolo de aniversário e de anos…tantos anos. Recheado de invernos e lareiras e chocolates quentes, repleto de água salgada e areia e de cabelo ao vento. Cheio de nostalgia… Havemos de ser velhas, usadas, gastas. E vai ser essa a nossa beleza. Com o passado nos brincos e o futuro nos bolsos. Levaremos connosco muito mais do que o que fica para trás.

Só nos damos mal quando somos iguais. E as fronteiras do que pode acontecer excedem tudo o que não deixamos por fazer. Nas nossas mentes unidas cabem todas as ondas por surfar e todos os lados para explorar. Chegamos lá um dia! A rota não está traçada mas nós descobrimos o caminho, e ainda falta tanto, tanto, que não há dias que cheguem e certamente as noites são curtas demais. Pode até começar a chover, não faz mal. Traz velas. Vamos ali. Anda dormir ao relento. Não há tenda? Dormimos abrigadas nas estrelas. Afinal, nunca chove aqui…

23 de junho de 2013

corta a etiqueta

E não sou hippie ou hipster ou grunge ou vintage ou hard metal ou geek ou swag ou nada disso, nada dessas coisas fabricadas e desses moldes em que temos todos que nos encaixar obrigatoriamente. Porque não temos. 
Eu sou o que gosto e o que não gosto, 
o que experimento e o que erro. 
Eu sou os anos que passaram e os que estão por vir, 
o toque do pé na água na praia e o cabelo ao vento, 
a gota de chuva na ponta do cabelo em novembro. 
Eu sou o que ainda não fiz e o quanto quero mudar o mundo, 
sou a pessoa que quer ser melhor e sou a alma inquieta e ansiosa que tenho dentro de mim, 
sou os erros que cometi e os que ainda vou cometer.
Sou as pessoas por quem passo. 
Sou a pegada ecológica no meu canto do mundo e a tentativa de a reduzir. 
Sou o quanto às vezes não me quero levantar de manhã porque não sou eu quem vai mudar o mundo.
Sou a montanha russa no parque de diversões e a nota caída do bolso das calças. 
Sou a felicidade de encontrar antiguidades e uma noite de verão. 
Sou todas as coisas. Mas não sou nenhuma. 
Sou a ingénua de 15 anos que tem medo de crescer e sabe que vai mudar a cabeça, mas que no fundo quer conservar esse espírito inquieto que grita por ‘’EU QUERO MAIS’’. 

Eu não sou isto. Não sou aquilo… não sou algo que se possa por em palavras, tal como nenhum de nós é. Nós não somos palavras. Nós usamos palavras. Não são as palavras que nos usam a nós…nem nos definem. Nenhum de nós é a etiqueta na parte inversa da camisola que comprou na loja do centro comercial lá da rua…e não percebo porque tentamos tanto ser.