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2 de setembro de 2013

Nem com Alzheimer

Os sonhos e os medos têm algo em comum: só ficam do tamanho que os deixemos chegar. Os meus são ambos gigantes: uns, conquistam-se; os outros, enfrentam-se. Na certeza que me acompanhas, o mundo não parece tão assustador. E ouve, temos sempre o mundo todo à espera. Hei-de ser velhinha, e tu, velhota. Com as mãos ocupadas e o corpo cheio. Cheio de vida, cheio de sítios e de pessoas, cheio de amores perdidos, amantes encontrados e borboletas ressequidas na barriga, de whiskey e de champanhe, de bolo de aniversário e de anos…tantos anos. Recheado de invernos e lareiras e chocolates quentes, repleto de água salgada e areia e de cabelo ao vento. Cheio de nostalgia… Havemos de ser velhas, usadas, gastas. E vai ser essa a nossa beleza. Com o passado nos brincos e o futuro nos bolsos. Levaremos connosco muito mais do que o que fica para trás.

Só nos damos mal quando somos iguais. E as fronteiras do que pode acontecer excedem tudo o que não deixamos por fazer. Nas nossas mentes unidas cabem todas as ondas por surfar e todos os lados para explorar. Chegamos lá um dia! A rota não está traçada mas nós descobrimos o caminho, e ainda falta tanto, tanto, que não há dias que cheguem e certamente as noites são curtas demais. Pode até começar a chover, não faz mal. Traz velas. Vamos ali. Anda dormir ao relento. Não há tenda? Dormimos abrigadas nas estrelas. Afinal, nunca chove aqui…

14 de abril de 2013

As Palavras do Tempo

Tudo é relativo – os dias, as pessoas, os momentos. Só os sítios se mantêm, e nem esses por muito tempo. Vivo sabendo que o agora é isso mesmo – Agora. Não o depois, o depois vai ser diferente, vai ser o Agora dessa altura, tal como o passado não vai ser mais Agora porque já teve o seu momento, já ocupou o seu espaço no tempo.

Nada se repete. Pelo menos, não da mesma maneira. Como nós. Sim, lá volto eu a nós como não posso voltar a ti. É um exemplo de como o tempo é tão grande e nunca em círculo, nunca se repete. Vemo-nos por aí, muito por aí, talvez demasiado para que a minha sanidade se mantenha no sítio. Olho-te, tantas vezes de soslaio carregado de pressa e memórias. Também me vês. Mas não nos vemos… aquele sítio para onde ia quando te olhava no fundo dos olhos, e tu nos meus, não vai voltar a acontecer. Não é mau, não é triste, é apenas a vida.
Entramos e saímos dos sítios, incluindo aqueles que são sentimentos. Hoje sei que gosto de ti, mesmo passado este tempo todo. E gostar de ti também me traz um lugar, onde entro tantas vezes. Talvez essa seja uma porta onde ainda vou passar outras tantas. Talvez um dia me tranque lá dentro e não volte a sair. E aí sim, ahhh, o tempo seria Agora...o sítio eras Tu...e eu… era feliz.